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A Geração mais nova fala sobre a atual condição do bairro.

  Jéssica Campos e Marília falam sobre os bairros do Extremo Sul, no vídeo que já foi utilizado em outro trabalho nosso, elas falam sobre o Capão Redondo, Jardim Ângela fazia parte do Capão Redondo durante muito tempo, mas foi desvencilhado do bairro, mas consideramos ainda que é uma fala muito importante para a história do bairro, e contribui muito para o entendimento do projeto, por este motivo seria muito difícil ignorar esse vídeo que conta com um conteúdo de 1 hora, e com a pandemia causada pelo novo coronavírus, não teríamos a chance de realizar outra entrevista.   

O bairro além das Manchetes.

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  Escola do bairro, 2015 (foto pessoal) Dança de Capoeira. Apesar das manchetes passarem um certo terror para o moradores do bairro, a esperança dos moradores seguia e segue firme. Maria Verônica, moradora do bairro desde 1994, fala que problemas enfrentados na época, mas afirma que a alegria e o companheirismo dos vizinhos era algo comum no bairro.  "Na época que vim pra cá, mal tinha energia elétrica, eram poucos que tinham. A nossa rua principalmente. Não tinha nada perto, nem escola, nem creche, nem postos de saúde. Com as meninas foi mais fácil, agora quando o Emanuel nasceu, a ambulância me levou até São Roque, que por incrível que pareça era o hospital mais perto que tinha disponível, era tudo muito dificil, mas eu tinha amigas, amigas de verdade no bairro. Que me ajudaram muito com vocês, o bairro tem umas questões complicadas, como todos têm, mas criar filhos em lugares assim, é preocupante pra qualquer mãe. Eu não tinha muita paz, saía do trabalho correndo pra ver vo...

O Nordeste no Jardim Ângela.

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  Vizinhos e conterrâneos dos meus pais, vindo do nordeste, Jardim Ângela, 1998.  Assim como a grande parte dos nordestinos das décadas 70,80,90, meus pais saíram dos seus respectivos estados em busca de melhores condições de vida, e acreditavam que não encontrariam um povo caloroso, brincalhão e alegre, na terra da garoa, mas ao chegarem na cidade cinza, meu pai vindo de Alagoas, minha mãe de Pernambuco, tiveram uma grande surpresa aqui no bairro Jardim Ângela, foram recebidos com "oxente","mainha", "painho"  e um cuscuz com charque (carne seca, para os paulistas) tipicamente nordestinos. "Era uma farra, me divertia muito, a alegria que só o nordestino tem! Me senti em casa, e isso não tem preço, a gente que mora no extremo Sul, precisa de uma segunda família, passei mais 10 anos sem ver minha mãe, que ficou em Pernambuco, imagina se não tivesse apoio de um povo 'doidjo' igual esse, não dava certo" Diz Maria Verônica.

A lembrança violenta.

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 O bairro que já foi considerado o lugar mais perigoso do mundo em 1996, pela ONU, e que fez parte do "triângulo da morte" formado por três bairros do extremo Sul de São Paulo, com Capão Redondo e Jardim São Luís, com maiores números de crimes do mundo, ainda sofre com essa fama. O bairro teve, e ainda tem, lideres que lutavam para que o título de bairro mais perigoso do mundo ficasse apenas nas lembranças dos moradores mais antigos, e que a nova geração não seja tão marginalizada. Enoque dos Santos, morador do bairro desde a década de 90, compartilha suas memórias: "Lembro que quando cheguei de Alagoas para morar em São Paulo, o bairro não tinha nada, ruas sem asfaltos...Parecia que não tinha saído do Nordeste. Com o tempo as coisas foram melhorando, mas ainda tinha que andar 2km para pegar o ônibus mais próximo. Pra 'arrumar ' emprego que era mais complicado, as empresas não pegavam gente daqui, falavam que era longe, que não dava".  Elias dos Santos, irmã...

Conhecendo o Jardim Ângela.

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Localizado no extremo sul de São Paulo, o Jardim Ângela possui 295.434 habitantes e iniciou sua história sendo uma região com opções imobiliárias atrativas graças aos primeiros imigrantes libaneses que construíram casas de aluguel no bairro, e  sob a proteção de santa Ângela. A região, como tantas outras da capital cresceu com o esforço de muitos trabalhadores que precisavam de um teto. A semente desse emblemático bairro é um loteamento clandestino feito nos primeiros anos da década de 1960. Durante muito tempo, e até hoje, você não precisa pesquisar muito para conhecer a fama de bairro mais perigoso mundo que o bairro carrega com ele desde a década de 90.